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Apartamento na praia: o que perguntar antes da proposta
Onze perguntas que mudam a conta de um imóvel de praia, da despesa fora de temporada ao que a vista para o mar realmente custa.
7 min de leitura
Apartamento de praia é comprado no verão e pago o ano inteiro. Essa é a frase que resume quase todo arrependimento nesse mercado. A visita acontece em janeiro, com a cidade cheia e o mar na frente. A conta acontece em junho, com o prédio vazio e o condomínio na mesma data.
Não é argumento contra comprar. É argumento a favor de perguntar as coisas certas antes. Estas são as que mais mudam o resultado.
Sobre o custo de manter
- Qual o valor do condomínio, e ele muda entre temporada e fora de temporada? Prédio com piscina aquecida, elevadores e portaria 24h custa o mesmo em julho, quando ninguém está lá.
- Existe rateio extra previsto? Fachada de prédio de praia sofre com maresia e costuma pedir manutenção mais frequente que a de prédio urbano.
- Qual o IPTU, e existe alíquota diferente para imóvel não residencial ou de temporada no município?
- O prédio tem fundo de reserva formado? Fundo vazio significa que a próxima obra grande vira rateio.
Sobre a vista, que é o que você está pagando
Vista para o mar é o item mais caro e o menos garantido de um imóvel de praia. Ela depende de coisas que não estão no apartamento.
- O que pode ser construído no terreno da frente? A resposta está no plano diretor e no zoneamento do município, não com o vendedor.
- Qual o gabarito permitido na quadra? Um terreno vazio com gabarito alto é um prédio futuro na sua janela.
- Em que andar a vista deixa de existir se o vizinho construir no limite?
- A vista é frontal, lateral ou diagonal? A diferença de preço entre elas é grande, e a diferença de nome no anúncio às vezes é uma palavra só.
Peça a certidão de zoneamento do terreno vizinho antes de pagar caro por vista. Custa pouco na prefeitura e é a única resposta que vale.
Se a ideia é alugar por temporada
A conta de aluguel de temporada não é diária cheia vezes trinta. É diária vezes ocupação real, menos taxa de plataforma, menos limpeza entre hóspedes, menos os meses em que o imóvel fica parado.
- Levante a diária praticada em imóveis parecidos, na mesma quadra, nas plataformas de aluguel.
- Estime a ocupação por mês do ano, não a média anual. No Litoral Norte a temporada é curta e concentrada.
- Desconte comissão de plataforma, limpeza, roupa de cama e reposição.
- Subtraia condomínio e IPTU dos doze meses, não só dos meses alugados.
- Compare o que sobrou com o que o mesmo dinheiro renderia parado. Se a diferença for pequena, o imóvel precisa se justificar pelo uso, não pelo rendimento.
Muita gente faz essa conta e decide comprar assim mesmo, porque quer usar o imóvel. Isso é uma decisão legítima. O problema é fazer a conta errada e achar que comprou investimento.
Sobre o imóvel em si
- Qual a orientação solar da sacada? No litoral gaúcho o vento predominante e o sol da tarde definem se a sacada é usável.
- Esquadria e ferragens são preparadas para maresia? Trocar tudo depois custa mais que a diferença de preço entre um prédio e outro.
- Vaga é escriturada ou de uso? Vaga de uso não é sua e pode mudar em assembleia.
- Existe água quente central, e quanto ela pesa no condomínio?
A pergunta final
Quantas semanas por ano você realmente vai usar? Responda com o calendário na frente, contando férias reais e feriados que dá para emendar. Se o número for baixo e a conta de aluguel não fechar, o imóvel de praia continua podendo valer a pena, mas por um motivo que precisa estar claro para você antes da assinatura, não depois.
Onde conferir
- Gabarito, zoneamento e uso do solo
- Plano diretor de cada município. Certidão de zoneamento na prefeitura.
- Vaga escriturada e alteração por assembleia
- Convenção de condomínio e matrícula do imóvel.
Alíquotas, tabelas e índices citados mudam. Este guia explica o mecanismo; o valor do dia se confirma na fonte indicada acima. A JABS Imobiliária não presta consultoria jurídica ou tributária.