Pular para o conteúdo

Financiamento

SAC ou Price: qual parcela cabe no seu bolso

Os dois sistemas de amortização, o que cada um cobra no começo e no fim, e por que a escolha muda quanto o banco aprova para você.

5 min de leitura

Todo financiamento de imóvel devolve duas coisas ao banco: o dinheiro emprestado e os juros sobre o que ainda falta pagar. O que muda entre SAC e Price é o ritmo em que a primeira parte é devolvida, e esse ritmo muda tudo o resto.

Como cada um funciona

No SAC, você devolve sempre a mesma fatia da dívida. Como o saldo devedor cai todo mês, os juros sobre ele caem também, e a parcela vai encolhendo do começo ao fim.

No Price, a parcela é calculada para ficar constante. No começo ela é quase toda juros e devolve pouco da dívida; com o tempo a proporção se inverte. O saldo devedor demora mais para cair.

SACPrice
Primeira parcelaMais altaMais baixa
Última parcelaBem mais baixaIgual à primeira
TrajetóriaDecrescenteConstante
Juros pagos no totalMenorMaior
Queda do saldo devedorRápida desde o inícioLenta no começo
Renda exigida para aprovarMaiorMenor

A linha que quase ninguém repara

É a última da tabela. O banco aprova o financiamento olhando a primeira parcela contra a sua renda. Como a primeira parcela do SAC é mais alta, o mesmo salário aprova um valor menor no SAC do que no Price.

Isso cria uma escolha que não é só financeira. O Price pode ser o único jeito de o valor que você precisa ser aprovado. O SAC é mais barato no total, mas exige folga maior no começo, que é justamente quando você acabou de gastar tudo com entrada, ITBI e mudança.

Compare pelo Custo Efetivo Total, não pela taxa de juros anunciada. O CET inclui seguros obrigatórios, tarifa de administração e avaliação do imóvel, e é o único número que permite comparar propostas de bancos diferentes.

A correção que continua correndo

Nos dois sistemas o saldo devedor é corrigido por um índice definido em contrato. Isso significa que a parcela do Price não é exatamente constante em reais, e a do SAC não cai em linha reta: as duas se movem com o índice escolhido.

Antes de assinar, pergunte qual índice corrige o seu contrato e peça a simulação em mais de um cenário. É a pergunta que separa quem entendeu o que assinou de quem só olhou a primeira parcela.

Como decidir

  1. Simule os dois no mesmo banco, para o mesmo valor e prazo.
  2. Olhe a primeira parcela de cada um contra o seu orçamento real, já com condomínio e IPTU do imóvel novo somados.
  3. Olhe o total pago no fim e a diferença entre eles.
  4. Se as duas primeiras parcelas couberem, o SAC costuma sair na frente pelo total.
  5. Se só a do Price couber, a escolha já foi feita, e o caminho é amortizar sempre que sobrar dinheiro.

Vale lembrar que a escolha não é definitiva no efeito. Amortização extraordinária, com FGTS ou com recurso próprio, reduz o saldo devedor em qualquer um dos dois sistemas e é o que mais encurta um financiamento longo.

Onde conferir

Custo Efetivo Total
Obrigatório na proposta de crédito. Peça ao banco por escrito.
Índice de correção do saldo devedor
Definido no contrato de financiamento. Varia por linha e por banco.
Simulação de parcela e renda exigida
Simulador do próprio banco, na data da consulta.

Alíquotas, tabelas e índices citados mudam. Este guia explica o mecanismo; o valor do dia se confirma na fonte indicada acima. A JABS Imobiliária não presta consultoria jurídica ou tributária.